Analisemos inicialmente a vida de Abraão. Homem que foi arrolado pelo autor do livro de Hebreus na famosa galeria da fé. Ao contrário de alguns que lá também tem seus nomes escritos, como Sansão e Raabe, Abraão ninguém questiona. Paulo, escrevendo aos cristãos da Galácia, afirma: “Estejam certos, portanto, de que os que são da fé, estes é que são filhos de Abraão” Gálatas 3.7.
A narrativa de sua vida encontra-se em Gênesis. A partir do capítulo 12 inicia-se mais precisamente a sua história. A primeira passagem que faz-nos duvidar da fé de Abraão é relatada nos versos 6 a 13: “Abrão atravessou a terra até o lugar do Carvalho de Moré, em Siquém. Naquela época os cananeus habitavam essa terra. O Senhor apareceu a Abrão e disse: À sua descendência darei esta terra. Abrão construiu ali um altar dedicado ao Senhor, que lhe havia aparecido... Quando estava chegando ao Egito, disse a Sarai, sua mulher: Bem sei que você é bonita. Quando os egípcios a virem, dirão: Esta é a mulher dele. E me matarão, mas deixarão você viva. Diga que é minha irmã, para que me tratem bem por amor a você e minha vida seja poupada por sua causa". Deus promete a Abraão que à sua descendência será dada a terra dos cananeus. Maravilha!!! Profundamente grato a Deus pela promessa, Abraão edifica um altar ao Senhor. Em seguida uma terrível amnésia apodera-se de sua mente. Esquece-se da promessa de Deus e, com medo de morrer pelas mãos dos egípcios, mente dizendo que Sara era sua irmã e não sua esposa. Onde está a fé?
Passado algum tempo, já idoso e sem filho, Abraão questiona o Senhor dizendo: “Ó Soberano Senhor, que me darás, se continuo sem filhos e o herdeiro do que possuo é Eliézer de Damasco?" Gn 15.2. Em seguida Deus responde: “Um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro.” Gn 15.4.
Ansioso com o aparente atraso de Deus em dar-lhe um filho, Abraão concorda com a proposta de Sara e deita-se com sua serva Hagar engravidando-a. O propósito de Deus, no entanto, era dar a terra de Canaã ao filho de Abraão com Sara. No capítulo 17, Abraão clama ao Senhor dizendo: “Permite que Ismael seja o meu herdeiro!” v.18. Esta foi mais uma forma que ele encontrou de “ajudar” o Senhor a cumprir Sua promessa, afinal, Sara tinha 90 anos. Para Deus tudo é possível e suas promessas sempre se cumprem. Lemos em seguida o que Deus diz a Abraão: “... a minha aliança, eu a estabelecerei com Isaque, filho que Sara lhe dará no ano que vem, por esta época” v.21. Andar com Deus e experimentar o cumprimento de suas promessas fez com que Abrãao evoluísse gradativamente na sua fé. Esta evolução na fé em Deus chegou ao extremo de oferecer o filho da promessa, Isaque, em sacrifício, como o Senhor ordenara. Em Hebreus lemos uma declaração marcante: “Pela fé Abraão, quando Deus o pôs à prova, ofereceu Isaque como sacrifício. Aquele que havia recebido as promessas estava a ponto de sacrificar o seu único filho... Abraão levou em conta que Deus pode ressuscitar os mortos; e, figuradamente, recebeu Isaque de volta dentre os mortos.” Hb 11.17 e 19.
Nestes termos é que sou evolucionista. Lendo a história de Abraão, um homem que inicialmente usou a mentira e que, andando com Deus e fazendo Sua vontade, creu que Deus cumpriria a promessa de fazer de sua descendência uma grande nação. Esta é a evolução que eu desejo para minha vida. Quanto à teoria da evolução elaborada por Charles Darwin, a cada dia a própria ciência leva ao descrédito.
E quem são os criacionistas? Posso citar diversos: Valdomiro Santiago, Valnice Milhomens, R.R.Soares, Edir Macedo, Keneth Hagin e muitos outros que tem surgido especialmente nos meios pentecostais e neo-pentecostais. Neste artigo, considero tais falsos profetas como criacionistas por criarem teorias que nada tem a ver com a Palavra de Deus. Criam ensinamentos falsos baseados em textos isolados das Escrituras levando multidões a acreditarem em suas enganações. Criam rituais e teorias absurdas. Criam expectativas no coração dos espectadores e telespectadores que os assistem. Criam interpretações bíblicas totalmente infundadas.
Não se contentando com tanta criação, deixam o Criador de fora de suas pregações. A tônica de seus discursos inflamados não é o verdadeiro evangelho que Cristo nos deixou. Muito distante estão de pregar a necessidade de arrependimento e confissão de pecados.
Espero que você, leitor, busque sempre a evolução de sua fé em Cristo, através do estudo atento das Sagradas Escrituras e jamais dê ouvidos aos falsos profetas criadores de mentiras e extremamente criativos e carismáticos.
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