sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sonhos empoeirados

Chegando ao crepúsculo de mais um ano, é inevitável planejarmos e estabelecermos metas para o ano que se aproxima. Digo inevitável porque temos este desejo ou simplesmente por sermos induzidos ou questionados por outros em relação ao que faremos no próximo ano.

Nestas linhas meu desejo não é induzir o leitor a meramente estabelecer alvos para 2012, mas refletir nos sonhos que em anos anteriores não foram realizados e que empoeiraram na prateleira do esquecimento. Talvez alguns sejam realmente descartáveis, outros, no entanto, devem ser resgatados e perseguidos nos dias que virão.

Quais são os sonhos que você quer resgatar e novamente colocar como meta para o novo ano? Se formos examinar a prateleira de nossos sonhos é possível que encontremos muitos que ainda desejamos concretizar. É necessário, então, tirarmos a poeira que sobre eles está e recolocá-los como meta para nossa vida nos próximos doze meses.

Não sei quais sonhos deixados para trás, mas sei que muitos deles você pode e deve recuperar.

Você lembra quando sonhava em se formar no ensino médio? Ou talvez ingressar numa faculdade? E aquela vontade enorme de iniciar uma rotina de exercícios físicos para manter uma boa saúde, você lembra? Aprender a andar de bicicleta. Visitar um grande amigo que há anos não vê. Pintar a casa que há tempos você pretende, mas nem o pincel e a tinta comprou. Ter alimentação mais saudável. Ler a Bíblia e orar mais.

A lista de sonhos empoeirados e que podem ser resgatados é sua. Toda jornada, seja ela curta ou longa, depende do primeiro passo. Coloque seus sonhos diante de Deus antes de dar o primeiro passo e faça a sua parte.

Espero que no final de 2012 sua prateleira de sonhos empoeirados esteja vazia.

Sergio Paulo Brea

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Oração

Rubens Brea

Pode parecer estranho, mas, quando abordo o tema “oração“, o primeiro texto que me vem à mente não registra explicitamente esse termo. Lembro-me das palavras de Jesus em João 15: 7  “ Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será feito “.

Notamos nitidamente haver condicionantes para termos os nossos pedidos – ou seja – orações - atendidos.

Primeiramente há de estarmos vinculados a Jesus e nos portarmos coerentemente,  conforme destaca o Apóstolo João em sua 1ª. Carta  2:6  “Aquele que diz estar em Jesus  , deve andar como Ele andou “ .O Apóstolo Paulo salienta  em  Colossenses  2:6 “ Assim como recebestes a Cristo Jesus, também, n‘Ele andai “

A outra condição é retermos Suas Palavras em nossas mentes e corações, vivenciando-as em nosso cotidiano. Colossenses 3.16“ A Palavra de Cristo habite ricamente em vós ... “

Não esqueçamos, também, de que o nosso cronograma raramente coincide com o de Deus. O ser humano, em geral,padece da compulsão da instantaneidade.O que desejamos é para já! agora!

Assim, quando oramos gostaríamos fosse nosso pedido atendido imediatamente, mas, estejamos convictos de que Deus sempre responde, ora positiva, ora negativamente, no Seu e não no nosso tempo. Às vezes atendendo-nos rapidamente, noutras, fazendo-nos esperar por breves ou longos períodos , sempre, sempre visando o melhor para nós. Facilmente podemos constatar esse procedimento de Deus examinando, particularmente,  os Evangelhos.

Lembremos, pois, da afirmação do salmista – Sal. 40:1  “Esperei com paciência no Senhor e Ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor ... “

Confiemos, pois, no Senhor. Ele nos atenderá como e quando for de Sua vontade, sempre almejando as mais pródigas bênçãos para os Seus servos fieis.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Estragou a televisão!!!

Luís Fernando Veríssimo


-- Iiiih...
-- E agora?
-- Vamos ter que conversar.
-- Vamos ter que o quê?
-- Conversar. É quando um fala com o outro.
-- Fala o quê?
-- Qualquer coisa. Bobagem.
-- Perder tempo com bobagem?
-- E a televisão, o que é?
-- Sim, mas aí é a bobagem dos outros. A gente só assiste. Um falar com o outro, assim, ao vivo... Sei não...
-- Vamos ter que improvisar nossa própria bobagem.
-- Então começa você.
-- Gostei do seu cabelo assim.
-- Ele está assim há meses, Eduardo. Você é que não tinha...
-- Geraldo.
-- Hein?
-- Geraldo. Meu nome não é Eduardo, é Geraldo.
-- Desde quando?
-- Desde o batismo.
-- Espera um pouquinho. O homem com quem eu casei se chamava Eduardo.
-- Eu me chamo Geraldo, Maria Ester.
-- Geraldo Maria Ester?!
-- Não, só Geraldo. Maria Ester é o seu nome.
-- Não é não.
-- Como, não é não?
-- Meu nome é Valdusa.
-- Você enlouqueceu, Maria Ester?
-- Pelo amor de Deus, Eduardo...
-- Geraldo.
-- Pelo amor de Deus, meu nome sempre foi Valdusa. Dusinha, você não se lembra?
-- Eu nunca conheci nenhuma Valdusa. Como é que eu posso estar casado com uma mulher que eu nunca... Espera. Valdusa. Não era a mulher do, do... Um de bigode...
-- Eduardo.
-- Eduardo!
-- Exatamente. Eduardo. Você.
-- Meu nome é Geraldo, Maria Ester.
-- Valdusa. E, pensando bem, que fim levou o seu bigode?
-- Eu nunca usei bigode!
-- Você é que está querendo me enlouquecer, Eduardo.
-- Calma. Vamos com calma.
-- Se isso for alguma brincadeira sua...
-- Um de nós está maluco. Isso é certo.
-- Vamos recapitular. Quando foi que casamos?
-- Foi no dia, no dia...
-- Arrá! Tá aí. Você sempre esqueceu o dia do nosso casamento... Prova de que você é o Eduardo e a maluca não sou eu.
-- E o bigode? Como é que você explica o bigode?
-- Fácil. Você raspou.
-- Eu nunca tive bigode, Maria Ester!
-- Valdusa!
-- Tá bom. Calma. Vamos tentar ser racionais. Digamos que o seu nome seja mesmo Valdusa. Você conhece alguma Maria Ester?
-- Deixa eu pensar. Maria Ester... Nós não tivemos uma vizinha chamada Maria Ester?
-- A única vizinha de que eu me lembro é a tal de Valdusa.
-- Maria Ester. Claro. Agora me lembrei. E o nome do marido dela era... Jesus!
-- O marido se chamava Jesus?
-- Não. O marido se chamava Geraldo.
-- Geraldo...
-- É.
-- Era eu. Ainda sou eu.
-- Parece...
-- Como foi que isso aconteceu?
-- As casas geminadas, lembra?
-- A rotina de todos os dias...
-- Marido chega em casa cansado, marido e mulher mal se olham...
-- Um dia marido cansado erra de porta, mulher nem nota...
-- Há quanto tempo vocês se mudaram daqui?
-- Nós nunca nos mudamos. Você e o Eduardo é que se mudaram.
-- Eu e o Eduardo, não. A Maria Ester e o Eduardo.
-- É mesmo...
-- Será que eles já se deram conta?
-- Só se a televisão deles também quebrou.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Evangelho de escambo

A cada dia que passa vemos a proliferação em escala geométrica de falsos profetas. Os discursos falaciosos e o uso de jargões hereges já não é mais uma característica apenas de seitas e denominações evangélicas neopentecostais. Infelizmente encontramos, também, em denominações tradicionais e que historicamente tem o mérito de seguir o que a Bíblia ensina, sem qualquer adorno que corrompa a essência do evangelho de Cristo.

Com receio de perder sua clientela, um falso evangelho, baseado no escambo e não nas Escrituras, é pregado sem qualquer pudor e temor. Arrependimento dos pecados, santidade e submissão a Deus não são aceitos mais pela clientela ávida por bênçãos materiais. Diante disto, líderes “evangélicos”, ambiciosos e sedentos por atingir suas metas, tem adulterado a Palavra de Deus a fim de atender à demanda. Prega-se, então, uma mensagem onde o Senhor torna-se servo e o Homem assume o papel de Senhor. “Eu determino”, “Eu tomo posse”, “Eu não aceito”, “Eu profetizo” e diversas outras heresias são proferidas e ensinadas. A ignorância e o desinteresse dos ouvintes em verificar se tais ensinamentos são biblicamente coerentes fazem com que as heresias contaminem a Igreja.

O que diremos, pois, diante das palavras de Jesus em Lucas 9.23-24: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a vida por minha causa, este a salvará.”Diante do “evangelho” antropocêntrico dos dias de hoje, estas palavras causam náuseas. Outro texto arrepiante para os que pregam que podemos determinar, não aceitar ou tomar posse é o que se encontra em Mateus 6, mais especificamente no verso 10: “... seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.” O próprio Jesus, no Getsêmani, em momento de grande angústia e sofrimento colocou em prática o que havia ensinado na oração descrita acima quando diz: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres”.

Não se deixe levar pelas heresias e discursos falaciosos que tanto atraem multidões. Tenha a mesma cautela dos bereanos elogiada em Atos 17.11 pois eles “... receberam a mensagem com grande avidez, e examinavam todos os dias as Escrituras, para ver se o que Paulo dizia era verdade”.

Sergio Paulo Brea

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Compromisso com Deus

O compromisso com Deus nos leva a ter uma vida de dependência Dele. Muitas seitas dos dias de hoje levam as pessoas a terem uma atitude totalmente oposta daquela que Deus espera de seus servos. Estas seitas tratam Deus como seu servo e não como Senhor. Isto é evidente quando usam certos termos como:

ü Eu determino: esta expressão usamos quando estamos dando uma ordem a alguém. No exemplo de Jó, em qual momento encontramos na Bíblia alguma passagem em que ele diz: Eu determino!? Pelas circunstâncias, ele poderia ficar declarando "eu determino", "eu não aceito", ... mas, não fez nada disso. Jó conhecia o Deus vivo e tinha espírito de quem ama e teme a Deus. O mesmo podemos dizer de Abraão, Moisés, José, Daniel, Paulo, Pedro e tantos outros.

ü Eu profetizo: muitos também usam este termo e profetizam diversas coisas como: eu profetizo a benção que eu quero, o emprego que eu quero, a casa que eu quero e assim por diante. Quando falamos estas coisas estamos nos colocando no lugar de Deus sem submissão a Ele, mas ordenando que algo aconteça, algo que vem da nossa própria vontade, mesmo sem saber qual é a vontade de Deus.

ü Pela fé eu tomo posse: esta é mais uma aberração daquelas em que deixamos de lado a vontade de Deus e colocamos a nossa própria vontade em primeiro lugar.

Infelizmente os falsos profetas que tem surgido como Valdemiro Santiago, Edir Macedo, R.R Soares e outros, estão longe do Evangelho de Jesus Cristo, e não se atentam à oração que Jesus Cristo ensinou em Mateus 6:9-15:

“Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o Teu nome, venha a nós o Teu reino, seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu...“

Em Mateus 26.42 Jesus entrega-se à vontade de Deus quando diz: “Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. Isso sim é viver a vida de compromisso com Deus.

No evangelho das facilidades pregado pelos falsos profetas que se levantam a cada dia, a submissão a Deus foi substituída pela tentativa de submeter Deus à vontade humana. Como este “produto” tem maior aceitação no “mercado”, as “igrejas”, que literalmente vendem estas facilidades têm crescido em proporções geométricas, o que parece contradizer o que a Palavra diz a respeito dos que serão salvos: "Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela" (Mt 7.13-14).

Reflita nestas palavras e viva uma vida de compromisso com Deus.
Sergio Paulo Brea

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O EX - PLANETA

Se você, caro leitor,  é daqueles que se interessa por Astronomia  -  note bem  -  não me refiro à Astrologia que não é uma ciência  ,   mas Astronomia , esta sim,   ciência , ou se pertencer à comunidade estudantil  que certamente tem incluído em sua grade curricular o estudo do Sistema Solar, teve sua atenção despertada por uma, talvez, inesperada notícia  anunciando a  -  digamos  -  destituição  do título de Planeta do astro denominado Plutão.

Na 26ª. Assembleia Geral da União Astronômica  Internacional ,  realizada  na 3ª. Semana de Agosto , na cidade de Praga, capital da República Checa, foi decidido que  Plutão não  ostenta mais a condição de planeta.  Foi rebaixado de categoria .  Agora ele é um simples planeta-anão.

Esse ex planeta  foi descoberto por Clyde Tombaugh em 1930, há 76 anos ,  portanto.

Desde então todas as Escolas passaram a ensinar que o sistema solar possuía 9 planetas ,  incluído,  é lógico, nosso querido planeta chamado carinhosamente de Terra. Agora passaram a ser 8   (Mercúrio, Vênus, Terra, Marte,Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) .

Já imaginaram quantos milhões de Livros e centenas de Enciclopédias  terão de ser alteradas ?  E, atenção estudantes que prestarão  os próximos vestibulares, tenho quase certeza de que este assunto será incluído em alguma questão das provas.

Mas alguém poderá objetar:  Por que abordar matéria essencialmente científica  num programa que tem como propósito divulgar o Evangelho de Jesus ?

Simplesmente para afirmar  - como o fazemos com certa freqüência  -  que tudo o que representa certeza na ciência dos homens é passível de revisão, alteração, retificação, atualização.  Até poucas semanas atrás a existência de 9 planetas  era uma certeza incontestável.  Hoje não é mais !

Nas questões espirituais  relacionadas `a  Palavra de Deus não há revisões, reformulações, atualizações.

As Escrituras afirmam em Hebreus cap. 13, verso 8 que Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente.  O mesmo autor aos Hebreus, cap. 1, versos 10 a 12, evocando o Salmo 102:  25 a 27,  nos diz  “ Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obra de Tuas mãos. Eles perecerão, mas Tu permaneces. Todos eles como roupa envelhecerão...mas Tu és o mesmo e os Teus anos não acabarão “   Na carta de Tiago cap. 1, verso 17  lemos  “ Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes  em quem não há mudança nem sombra de variação “

Concluímos assim, que as certezas dos homens são sujeitas a reformulações , mas as certezas de Deus são imutáveis, eternas.
 
Rubens Brea   - setembro / 2006

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Orçamento Familiar

Uma das principais causas do desequilíbrio financeiro familiar é a falta de controle do orçamento.

Quando elaboramos um orçamento identificamos para onde está indo nosso dinheiro e assim, visualizamos com exatidão quais despesas poderão ser reduzidas ou cortadas para que nossa saúde financeira seja restabelecida.
Para elaborarmos um orçamento precisamos partir das receitas para as despesas, ou seja, uma vez que as receitas normalmente mantém o mesmo patamar, são as despesas que terão que se adequar ao nosso ganho e não ao contrário. Partindo desta regra básica de que devemos gastar menos do que ganhamos, podemos elaborar uma planilha orçamentária.

Veja um exemplo fictício e bem simplificado de um orçamento:

Descrição
Entrada
Saída
Salário Bruto
R$ 1.635,00

Descontos

R$ 150,00
Dízimo

R$ 165,00
Oferta

R$ 50,00
Água

R$ 35,00
Luz

R$ 45,00
Telefone fixo

R$ 80,00
Celular

R$ 25,00
Combustível

R$ 100,00
Mercado

R$ 200,00
Aluguel da Casa

R$ 400,00
Educação (cursos, materiais etc)

R$ 150,00
Lazer

R$ 80,00
Vestuário

R$ 50,00
Poupança

R$ 105,00
Total
R$ 1.635,00
R$ 1.635,00
Saldo
R$ 0,00


Partindo deste modelo, podemos especificar ainda mais nossos gastos para termos uma visão ainda mais aprofundada dos mesmos. Por exemplo, podemos desmembrar o item “mercado” em alimentação, produtos de limpeza, produtos de higiene pessoal. O item “lazer” pode ser dividido em cinema, passeio, restaurante.

Tendo a convicção de que tudo o que temos vem das mãos de Deus, um item que não pode faltar é o  dízmo, lembrando que o dízimo não é uma despesa e nem um gasto, é uma devolução que fazemos ao Senhor como forma de gratidão e fidelidade por tudo que Ele nos dá. O dízimo representa 10% do valor bruto recebido (no exemplo o valor foi arredondado para cima).
Voltando ao orçamento, quanto mais detalhado for, mais fácil de identificar as despesas que podem ser reduzidas ou cortadas. Como no exemplo acima, procure sempre separar uma parcela a ser poupada. Seja realista para não desanimar por não conseguir atingir sua meta. Por ser fictício, as entradas e saídas do orçamento acima foram iguais. Caso contrário, o que fazer quando falta ou quando sobra? Veremos em outra oportunidade.

 Sergio Paulo Brea

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O exemplo de Esdras

Esdras 7.10 “Esdras tinha decidido dedicar-se a estudar a Lei do Senhor e a praticá-la e a ensinar os seus decretos e mandamentos aos israelitas”.

três aspectos importantes e bem claramente destacados no procedimento de Esdras: o primeiro aspecto está na dedicação ao estudo da Lei do Senhor.

Dedicar-se ao estudo vai muito além de simplesmente ler ou memorizar. Entre as definições do verbo dedicar temos: aplicar tempo ou esforço em algo; empenhar-se; fazer sacrifício por algo. As pessoas aplicam seu tempo, seu esforço ou fazem sacrifício por algo que julgam importante. É sempre possível encontrar um tempo para fazermos aquilo que valorizamos. Um exemplo que vemos nas Escrituras é de Daniel. Ele era um homem ocupadíssimo. No capítulo 2 do livro de Daniel vemos que após ter interpretado o sonho de Nabucodonozor, Daniel foi colocado num cargo elevado, de grande responsabilidade. No verso 48 lemos: Assim o rei colocou Daniel num alto cargo e o cobriu de presentes. Ele o designou governante de toda a província da Babilônia e o encarregou de todos os sábios da província. Sabemos que pessoas que ocupam cargos elevados normalmente não tem tempo para quase nada a não ser para o cumprimento das tarefas relativas a estes cargos. Daniel certamente era um homem muito ocupado devido às suas responsabilidades no reino, no entanto, no capítulo 6 a Bíblia nos relata que ele conseguia dedicar um tempo do seu dia para conversar com Deus. O rei Dario havia decretado que ninguém poderia orar a nenhum outro deus, mas somente a ele mesmo e o descumprimento desta ordem traria o castigo de ser jogado na cova dos leões. No verso 10 lemos: Quando Daniel soube que o decreto tinha sido publicado, foi para casa, para o seu quarto, no andar de cima, onde as janelas davam para Jerusalém e ali fez o que costumava fazer: três vezes por dia ele se ajoelhava e orava, agradecendo ao seu Deus. Vemos que Daniel, mesmo sendo um homem com grandes responsabilidades, ainda conseguia separar três momentos do seu dia para orar. Para ele não importava se a situação era favorável ou não (isto é demonstrado pela expressão fez o que costumava fazer), ele reservava sempre um tempo para conversar com Deus, isto porque ele valorizava acima de tudo o seu relacionamento com Deus.

E quanto a nós? O que nós temos valorizado de verdade? Temos valorizado, acima de todas as coisas, o nosso relacionamento com Deus? Para sabermos a resposta a esta pergunta é muito simples. Vejamos com que dedicação temos procurado um relacionamento íntimo com Deus através da oração e do estudo da palavra. Temos separado um tempo para Deus em qualquer circunstância como Daniel fazia ou quando os problemas aparecem é que nos empenhamos em buscá-lo? Reflita nisto.

Então vimos o primeiro aspecto relacionado ao texto de Esdras que é a dedicação ao estudo da Lei do Senhor.

O segundo aspecto relacionado ao texto de Esdras é: praticar a Lei do Senhor. Este é um ponto que está diretamente ligado ao primeiro. podemos praticar algo quando temos o conhecimento de como fazê-lo. Pegue alguém que nunca jogou futebol, coloque dentro do campo e inicie a partida. A pessoa não terá condição alguma de participar do jogo mesmo que ela tenha preparo físico, velocidade e outras características importantes para o futebol, mas se ela não conhece as regras não tem como praticar o futebol adequadamente. Por isso, o segundo aspecto indicado em Esdras que é praticar a Lei do Senhor está diretamente ligado ao primeiro que é a dedicação ao estudo.

Em Tiago 1.22 lemos: Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos.

Temos aqui um ponto interessante: mesmo que tenhamos o conhecimento, mesmo que nos dediquemos ao estudo da palavra (como vimos inicialmente), se não colocarmos em prática, de nada vale. Voltemos ao exemplo do futebol. Se eu não sou goleiro e coloco a mão na bola dentro da minha própria área é pênalti. A regra é clara, eu a conheço, mas se não a ponho em prática de nada vale.

Agora vamos ao Novo Testamento. Os fariseus eram pessoas que conheciam muito a Lei. Eles ensinavam a lei nas sinagogas e muitas vezes eles quiseram colocar Jesus à prova, mas nunca conseguiam porque o conhecimento de Jesus era superior ao deles. Os fariseus são exemplos de pessoas que tinham conhecimento, mas não colocavam em prática. Em Mateus 23.1-3 Jesus diz o seguinte: Então Jesus disse à multidão e aos seus discípulos: Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam.

Voltando ao nosso personagem de hoje, Esdras, vemos que além de conhecer a Lei ele também a praticava.

Finalmente vejamos o terceiro aspecto que o texto destaca em relação a Esdras. vimos que ele dedicava-se ao estudo e praticava o que aprendia.  Por último o texto nos diz que Esdras ensinava os decretos e mandamentos de Deus aos israelitas.

Este terceiro ponto está intimamente ligado aos outros dois vistos anteriormente. Para que possamos ensinar com eficácia precisamos nos dedicar ao estudo e por em prática o que estudamos. Sem a dedicação ao estudo não temos o que ensinar e sem colocar em pratica não temos como fazer com que os outros tenham um exemplo a seguir. Desta maneira o ensino fica deficiente. Como vimos no texto de Mateus, os fariseus ensinavam, mas não praticavam o que estavam ensinando.

Os filhos costumam imitar seus pais, principalmente quando ainda são crianças e vem seu pai como um herói, como alguém que deve ser seguido. É muito mais difícil para uma criança respeitar sua mãe quando que o próprio pai não a respeita. É muito mais difícil convencer um filho adolescente a não fumar ou beber, quando o próprio pai fuma ou bebe. Nossas atitudes ensinam muito mais do que uma multidão de palavras.

Podemos notar pelo texto lido que Esdras era um homem segundo o coração de Deus. Um homem que conseguia viver em conformidade com estes três aspectos vistos: estudo, prática e ensino.

Que tal fazermos esta mesma opção de vida que Esdras fez? Estudarmos com dedicação a Palavra de Deus; colocar em prática os seus ensinamentos e ensinarmos aos outros não somente com palavras, mas também através de nossas vidas. Esta é uma decisão que depende somente de nós. Isto exige esforço, exige tempo, mas certamente seremos abençoados e abençoaremos muito a vida de outras pessoas.





Sergio Paulo Brea