terça-feira, 20 de março de 2012

Falso ou verdadeiro

Havia um homem que trabalhava em um banco na função de identificador de cédulas falsas. Sua capacidade de detectar falsificações era impressionante a tal ponto que detalhes quase imperceptíveis eram notados por ele. Certa vez este perito em falsificações estava analisando minuciosamente uma nota verdadeira sem se dar conta que era observado por um colega de outro setor. Depois de alguns minutos este colega, sabendo que a função dele era detectar falsificações e sabendo que a nota em análise era verdadeira, questionou: ”Por que você gasta tanto tempo analisando uma nota verdadeira se seu trabalho é identificar as falsas?” Prontamente o perito respondeu: “Quanto mais eu conheço a cédula verdadeira, mais facilidade eu terei em detectar uma falsificada, mesmo que a sutileza da falsificação seja tal que passe despercebida aos olhos da maioria”.

Esta ilustração me remete à Bíblia. Ela é a verdadeira Palavra de Deus e nela encontramos os ensinamentos necessários para termos uma vida que agrada o coração do Pai. Ela clareia nosso caminho para que não tropecemos: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho” Salmo 119.105. Se a estudarmos minuciosamente, assim como o perito da ilustração, certamente seremos capazes de identificarmos falsas doutrinas bem como os falsos profetas que as ensinam.

As heresias mais eficazes em seus efeitos devastadores são aquelas que utilizam textos bíblicos descontextualizados, enveredando o ouvinte pouco atento pelos caminhos da perdição. Incontáveis falsos profetas temos visto surgir nos últimos tempos enganando multidões com seus discursos bem elaborados e utilizando textos isolados da Palavra para enganar multidões. A essência de seus discursos leva os ouvintes a crer em promessas que nunca foram feitas na Palavra: prosperidade financeira, cura para todas as doenças e diversos outros benefícios que em lugar algum da Palavra são prometidos.

Nosso desafio é remar contra o tsunami de heresias e estudar a Bíblia como fazia o povo de Beréia citado por Lucas em Atos 17.11: “Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo”.  

Sergio Paulo Brea

quarta-feira, 14 de março de 2012

Busque a Deus

Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova, dizendo-lhe: “Abraão!” Ele respondeu: “Eis-me aqui”. Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei”. Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento. Levou consigo dois de seus servos e Isaque seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado. No terceiro dia de viagem, Abraão olhou e viu o lugar ao longe. Disse ele a seus servos: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos”. Abraão pegou a lenha para o holocausto e a colocou nos ombros de seu filho Isaque, e ele mesmo levou as brasas para o fogo, e a faca. E caminhando os dois juntos, Isaque disse a seu pai Abraão: "Meu pai! " "Sim, meu filho", respondeu Abraão. Isaque perguntou: ”As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” Respondeu Abraão: “Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho”. E os dois continuaram a caminhar juntos. Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha. Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho. Mas o Anjo do Senhor o chamou do céu: “Abraão! Abraão!” “Eis-me aqui”, respondeu ele. “Não toque no rapaz”, disse o Anjo. “Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho”. Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi lá, pegou-o e sacrificou-o como holocausto em lugar de seu filho. Abraão deu àquele lugar o nome de "O Senhor proverá". Por isso até hoje se diz: "No monte do Senhor se proverá". Pela segunda vez o Anjo do Senhor chamou do céu a Abraão e disse: "Juro por mim mesmo", declara o Senhor, "que por ter feito o que fez, não me negando seu filho, o seu único filho, esteja certo de que o abençoarei e farei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar. Sua descendência conquistará as cidades dos que lhe forem inimigos e, por meio dela, todos povos da terra serão abençoados, porque você me obedeceu".  Gênesis 22:1-18 (NVI)
Não é raro ligarmos a TV e nos depararmos com algum programa de Igrejas “Evangélicas”. Infelizmente, em sua maioria, vemos tais Igrejas ofertando quase que exclusivamente as bênçãos de Deus, deixando de lado o Deus das bênçãos.
No texto que lemos vemos a atitude de um homem que, muito mais do que buscar os benefícios de Deus, buscava o próprio Deus. Se não fosse assim ele não teria chegado aonde chegou. Se Abraão fosse um homem que buscasse apenas as bênçãos de Deus, muito provavelmente ele não ergueria seus braços para sacrificar seu filho como ele o fez. Lendo a história depois do ocorrido nós sabemos tudo quanto aconteceu naquele monte, mas Abraão fez tudo aquilo porque buscava a Deus e não apenas suas bênçãos. Ele não sabia, em momento algum, que seria impedido pelo Senhor de sacrificar Isaque. No entanto, por ter sido fiel às ordens de Deus ele é agraciado com a promessa descrita nos versículos 16 a 18 (texto sublinhado).
Daniel foi outro personagem bíblico que buscava a Deus. Lemos no livro de Daniel um episódio bem marcante que ocorreu quando ele foi jogado na cova dos leões. Nesta história vemos que o rei Dario da Babilônia nomeou três ministros (sátrapas) e cento e vinte governantes a fim de que tudo corresse bem em seu reino. Entre os ministros estava Daniel, mas os outros dois ministros e os governantes procuraram um motivo para poder acusá-lo de ser um mau administrador, isto porque ele era mais competente que os outros e o rei estava pensando em colocá-lo como a mais alta autoridade do reino. Então, para prejudicar Daniel, eles foram falar com o rei e disseram o seguinte: "Ó rei Dario, vive para sempre! Todos os supervisores reais, os prefeitos, os sátrapas, os conselheiros e os governadores concordaram em que o rei deve emitir um decreto ordenando que todo aquele que orar a qualquer deus ou a qualquer homem nos próximos trinta dias, exceto a ti, ó rei, seja atirado na cova dos leões. Agora, ó rei, emite o decreto e assina-o para que não seja alterado, conforme a lei dos medos e dos persas, que não pode ser revogada". E o rei Dario assinou o decreto. Daniel 6.6-9.
Certamente isto deve ter perturbado o coração de Daniel, mas ele não deixou de orar a Deus. No versículo 10 lemos: Quando Daniel soube que o decreto tinha sido publicado, foi para casa, para o seu quarto, no andar de cima, onde as janelas davam para Jerusalém. Três vezes por dia ele se ajoelhava e orava, agradecendo ao seu Deus, como costumava fazer.
Nos versos seguintes vemos que Daniel, mesmo sendo temente a Deus, fazendo a vontade dele e desprezando o decreto do rei, foi condenado e lançado na cova dos leões. Hoje nós conhecemos a história completa, sabemos que Deus o livrou de morrer devorado pelos leões. Daniel, no entanto não sabia o que aconteceria com ele, mas uma coisa ele tinha no seu coração: vale a pena servir a Deus mesmo que a conseqüência disto seja a morte. Daniel foi ricamente abençoado por Deus ao ver o Seu poder agindo sobrenaturalmente em sua vida e mais ainda ao ver o nome de Deus sendo exaltado em todo o reino: Então o rei Dario escreveu aos homens de todas as nações, povos e línguas de toda a terra: "Paz e prosperidade!” Estou editando um decreto para que nos domínios do império os homens temam e reverenciem o Deus de Daniel. Pois ele é o Deus vivo e permanece para sempre; o seu reino não será destruído, o seu domínio jamais acabará. Ele livra e salva; faz sinais e maravilhas nos céus e na terra. Ele livrou Daniel do poder dos leões. Daniel 6.25-27.
O último personagem que destaco é encontrado no Novo Testamento, no livro de Atos dos Apóstolos. Seu nome é Estevão e conforme está escrito em Atos 6.8, ele era um homem muito abençoado por Deus: Estêvão, homem cheio da graça e do poder de Deus, realizava grandes maravilhas e sinais entre o povo. Nos versos seguintes lemos que ele foi injustamente acusado de atacar o Templo e a Lei de Moisés: Ali apresentaram falsas testemunhas que diziam: "Este homem não para de falar contra este lugar santo e contra a lei” Atos 6.13
Estevão era um grande conhecedor das Escrituras e em seu discurso de defesa ele resume a história de Israel desde Abraão até o seu próprio tempo. Por ser alguém que buscava a Deus acima de todas as coisas, ele não temeu diante dos homens que o acusavam e ainda aponta para o erro deles: Povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos! Vocês são iguais aos seus antepassados: sempre resistem ao Espírito Santo! Qual dos profetas os seus antepassados não perseguiram? Eles mataram aqueles que prediziam a vinda do Justo, de quem agora vocês se tornaram traidores e assassinos; vocês que receberam a Lei por intermédio de anjos, mas não lhe obedeceram. Atos 7.51-53
Por ser um servo que buscava a Deus mais do que as bênçãos que Deus poderia oferecer, ele morreu apedrejado, como nos revela os versículos 54 a 56 de Atos 7: Ouvindo isso, ficavam furiosos e rangiam os dentes contra ele. Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus de pé, à direita de Deus, e disse: "Vejo o céu aberto e o Filho do homem de pé, à direita de Deus". Para os “vendedores” do evangelho da prosperidade, a forma como Estevão morreu está totalmente em desacordo com seus discursos, no entanto, é a Palavra de Deus nos mostrando que o justo, mesmo fazendo a vontade de Deus, pode passar por dificuldades. No entanto, este servo exemplar chamado Estevão, mesmo sofrendo as dores das pedras que o atingiam, conseguiu vislumbrar um momento de alegria ao ver Jesus o recebendo no céu.
Abraão, Daniel e Estevão. Homens que andaram por este mundo em épocas diferentes, que vivenciaram experiências distintas, mas que viveram para buscar a Deus por ser Ele o único e verdadeiro Deus e não pelas suas bênçãosComo estes três, que nós também possamos entender que muito mais que as bênçãos de Deus, devemos buscar ao Deus das bênçãos.
Termino este texto com as palavras de Jesus em Mateus 6.33: Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.

Sergio Paulo Brea


segunda-feira, 12 de março de 2012

Preocupação eclesiológica

* Pr Antônio Mendes
Nós os Batistas estamos vivendo momentos auspiciosos no que concerne a missões, principalmente no âmbito nacional. Há uma vibração incontida conforme vimos na última Assembleia da Convenção Batista Brasileira em Foz do Iguaçu.
Agora pergunto: estariam as igrejas preparadas para receber os alcançados pela graça de Deus? Aí está a minha particular preocupação. Pontuo a seguir algumas seríssimas preocupações que parecem não ser somente minhas, mas de alguns que primam pela excelência das doutrinas e práticas bíblicas Batistas. A igreja primitiva era tão séria e atraente que fazia com que Deus enviasse para lá os que iam sendo salvos. Atos 2.47. Teria Deus essa tranquilidade em mandar os salvos para igrejas que priorizam shows em detrimento da exposição da Palavra? Teria Deus tranquilidade em mandá-los para igrejas cuja liderança não possui as qualificações bíblicas? Teria Deus tranquilidade de mandar para igrejas cujos lideres e pastores não conseguem sustentar seus casamentos e partem abertamente para a solução do divorcio sendo péssimos exemplos para a juventude e para os casais? Antes condenávamos artistas que trocavam de parceiros e hoje já tem muita igreja aceitando passivamente essa vergonha e sendo levadas a agirem da mesma forma como seus lideres agem. O pior é que continuam no ministério e se justificam dizendo que a igreja está crescendo. Quero lembrá-los que as igrejas cata níqueis crescem muito mais. Estariam elas corretas em explorar a crendice do nosso povo e prometer coisas que Deus nunca prometeu? Estaria Deus tranquilo em mandar jovens para igrejas cujos jovens e adolescentes gastam horas e horas ensaiando coreografia e, provavelmente nunca estiveram engajados num processo sério de discipulado? Estaria Deus tranquilo em mandá-los para igrejas cujas festas de casamento e aniversário são iguais às do mundão? O certo é que nunca vimos, principalmente no meio batista, coisas que estamos vendo agora. Me encanta como viviam os crentes da Igreja primitiva. Eram firmes na doutrina, comunhão, ajuda mútua, louvor, adoração e não imitando o mundo em nada. Como resultado Deus ia acrescentando os que iam sendo salvos. Não podemos permitir que Satanás arrebanhe seus arquitetos, engenheiros e pedreiros na ampliação do inferno para receber aqueles que foram enganados porque não viram nas igrejas a vivência do verdadeiro evangelho e zelo pela sã doutrina e pastores acovardados por não pagarem o preço e entregues às paixões carnais.
* Pastor da Primeira Igreja Batista de Atibaia (SP)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Redução na Taxa Básica de Juros


Em artigo publicado neste blog intitulado “Livre-se das dívidas” (setembro de 2011), inseri uma tabela com a taxa de juros básica dos principais bancos centrais do mundo, incluindo o do Brasil. Daquela data em diante houve algumas alterações. Ontem, dia 7 de março, o Banco Central do Brasil reduziu novamente a taxa Selic chegando a 9,75%.

A redução na taxa de juros (Selic) gera a redução de diversas outras taxas que estão diretamente ligadas ao nosso cotidiano. Entre elas as dos cartões de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal nos bancos, juros no comércio. Este decréscimo estimula o consumo ao mesmo tempo que torna os investimentos menos atrativos. No entanto, caso a capacidade produtiva das indústrias não esteja preparada para o aumento de consumo, há uma pressão nos preços (demanda maior que a oferta) gerando inflação.

O câmbio também é afetado pela alteração na Selic. A sua redução torna o país menos atrativo para investimentos uma vez que a rentabilidade diminui. Com a diminuição dos investimentos em títulos brasileiros, reduz-se a entrada de dólares no país, diminuindo sua oferta e consequentemente seu valor aumenta.

Nos parágrafos acima citei apenas alguns efeitos da redução da taxa básica de juros. Imagine você o quão complexo é equacionar todas as variáveis envolvidas de tal forma que tenhamos uma economia equilibrada. Há setores que são beneficiados por taxas mais altas e outros por taxas mais baixas. Fazer a conciliação de interesses de tal forma que traga benefício a todo o país é uma tarefa que beira ao impossível.

Sergio Paulo Brea