terça-feira, 31 de julho de 2012

O Crente Avestruz


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho
Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 29.7.12
              Éramos um grupo de cinco, indo a Calçoene. Saímos três de Macapá, passamos em Ferreira Gomes onde pegamos o casal missionário, e paramos em Tartarugalzinho. Abastecemos, tomamos um café sofrível, e espairecemos um pouco. O lugar é interessante. Além do leite de búfala, há avestruzes. Êta bicho esquisito!
Comentei que Deus pôs coisas bonitas no mundo, mas também cada coisa feia! Hipopótamo, lacraia, escorpião e o avestruz. Mais de dois metros de altura, pescoço fino, enrugado, cabeça pequena com penas escassas, bico feio, e um pé pra lá de horrível. Quando se distribuiu feiura no mundo, o avestruz pulou na frente e gritou: “Eu, primeiro eu! Quero tudo!”.
Quando saíamos, um dos membros de nossa equipe me perguntou se eu conhecia o crente avestruz. E explicou: “É aquele que come de tudo, sem selecionar nada!”. Sim, conheço muitos crentes avestruzes. Assistem tudo que é programa que se diz evangélico, leem tudo que lhe cai às mãos, sem senso crítico, fazem uma salada de conceitos e depois vão regurgitar em sua igreja.
Um crente avestruz se encantou com a ideia de orar pelos anjos para fortalecê-los, com base em um sermão que torceu Daniel 10.20. Quando sua igreja não quis, ele saiu e organizou um movimento de intercessão angelical. O problema é que o regurgitamento do crente avestruz acaba saindo e cai nos demais que não querem a esquisitice de que ele se alimentou. E termina no gabinete pastoral, que recebe toda sorte de “avestruzice”. Pastor ouve cada uma!
As pessoas não querem a simplicidade do evangelho (1Co 15.1-4). Paulo já receava que os cristãos se desviassem da simplicidade que há em Cristo (2Co 11.3). Os avestruzes de hoje querem novidades e “coisas tremendas”. São fascinados pelo bizarro. Seu evangelho é mais enfeitado que jegue de cigano.
O alimento simples do evangelho tem substância, alimenta bem e dá saúde. Para que inventar? A Palavra de Deus é suficiente. É dela que devemos extrair nosso alimento. “Come este livro!” (Ez 3.1 e Ap 10.9) mostram que é do Livro que vem de Deus que devemos nos alimentar. Nada de gurus, caboclos evangélicos de reza forte, exotismos ou descobertas que nunca alguém viu em dois mil anos de cristianismo.
Não vá atrás de invenções e novidades, nem coma e beba qualquer coisa espiritual. Não seja um crente avestruz. Alimente-se sadiamente. Seja seletivo.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Missionários da Bola - Parte 3


Devido ao exaustivo trabalho efetuado nos dias anteriores, não foi possível registrar diariamente o que ocorreu, portanto, resumirei abaixo o que os missionários da bola realizaram nesses dias.
Realizamos mais alguns jogos amistosos contra times regionais e os resultados foram satisfatórios. Entendemos como satisfatório não o desempenho do time nas partidas realizadas, mas o quanto nosso testemunho impacta a vida de quem nos assiste. Coincidentemente, os resultados foram positivos tanto no desempenho no campo de futebol como na participação de crianças nas clínicas e especialmente na quantidade de pessoas que atenderam ao convite para ter Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas. Sabemos, no entanto, que não podemos considerar as mãos levantadas em apelos como conversões efetivas. Mas sabemos também que quem convence o pecador da necessidade de aceitar Jesus é única e exclusivamente o Espírito Santo. Nós somos meros instrumentos nas mãos de Deus para este fim. Embora tenhamos o desejo de saber quantas pessoas realmente se arrependeram e se converteram, o nosso dever de espalhar a semente do evangelho foi cumprido.
A última cidade onde trabalhamos foi Fredericksburg. Foi um árduo trabalho onde mais de 250 crianças e adolescentes participaram. Entre 8 e 10 anos havia mais de 100 crianças. Nos quatro dias em que tivemos em Fredericksburg, fomos orientados a dar testemunhos de forma progressiva. Primeiramente, foram escolhidas pessoas para dar testemunho de conversão. No dia seguinte, foram dados testemunhos e apelos para que as crianças se tornassem seguidores de Cristo. No último dia de clínica de futebol, a ênfase foi na necessidade de se frequentar uma Igreja local. Assim como a brasa fora da fogueira esfria, o crente não pode levar sua vida cristã longe do corpo de Cristo senão esfria-se espiritualmente. Há muitos pensamentos que têm sido disseminados nas igrejas e que sou totalmente contrário (não vou repeti-los nesta postagem uma vez que já citei em artigos anteriores), mas isto não é motivo para distanciar-se de uma igreja local. Podemos até mudar de Igreja quando o pastor da mesma não deixa de pregar certas heresias e apela para pregações que visam mais massagear o ego dos ouvintes do que motivá-los e exortá-los a serem verdadeiros discípulos.
Após estes 16 dias, não podemos dizer qual o resultado para o Reino de Deus, mas certamente a semente foi lançada e oramos para que o Espírito Santo atue no coração dos que ouviram a mensagem e tenham suas vidas transformadas.

domingo, 8 de julho de 2012

Missionários da Bola - Parte 2

Viajamos ontem de Richmond, capital da Virgínia para uma pequena cidade chamada Onancock. É uma região rural, sem aqueles grandes aglomerados de pessoas. Para quem gosta de tranquilidade, é um bom lugar para se viver.
A temperatura está muito alta, Segundo os moradores da região, jamais fez tanto calor por aqui. Apesar da alta temperatura (mais de 40 graus celcius), marcaram um jogo para as três da tarde. Não fizemos um bom jogo mas conseguimos empatar em 1 a 1.
Após a partida, três membros dos missionários da bola foram dar um breve testemunho ao vivo para a rádio local cuja transmissão é em espanhol e voltada para o povo hispânico da região. Nossa partida foi a preliminar da final de um torneio local entre times formados por imigrantes de diversos países das américas.
O campo para o trabalho evangelístico neste local parece ser vasto. Os imigrantes destes países gostam muito de futebol e, desta forma, podemos atraí-los com maior facilidade.
Em breve trarei mais informações.

sábado, 7 de julho de 2012

Missionários da Bola 2012 - Parte 1

Esta é a décima quarta viagem dos Missionários da Bola ao estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Durante todos estes anos a semente do evangelho foi lançada neste local e, conforme nos ensina a parábola do semeador, diversos solos receberam a semente da Palavra de Deus e muitos foram alcançados e resgatados. Não nos importa saber quantas almas foram ganhas para o Senhor pois nosso trabalho aqui é lançar a semente na esperança de que alguém faça a colheita. Todo mérito deste trabalho deve ser dado ao único merecedor de honra e glória: Jesus Cristo. Temos, no entanto, o privilégio de fazer parte desta grande obra para qual Jesus nos convocou.
Destes 14 anos, eu tive o privilégio de participar deste projeto em doze oportunidades.
Entre os dias 3 e 7 de julho espalhamos as sementes na cidade de Richmond. Tendo o futebol como chamariz, pudemos tanto evangelizar como fazer com que pessoas que outrora serviam a Cristo restaurassem seu desejo de servi-lo novamente.
Há muitos evangélicos no Brasil que caracterizam os evangélicos norte-americanos como frios espiritualmente. Em parte concordo com este comentário, porém precisamos esclarecer que os evangélicos brasileiros estão em situação ainda mais agravante. Nos Estados Unidos vemos Igrejas com excelente infra-estrutura, templos suntuosos, mas com diversas cadeiras desocupadas a espera de pessoas para ocupá-las. Ao contrário dos EUA, no Brasil vemos diversas igrejas lotadas de pessoas interessadas apenas em satisfazer seus próprios desejos, realizar seus sonhos pessoais, alcançar a prosperidade financeira. Pastores e líderes criam diversas estratégias de marketing para atingir o povo sedento por bençãos. Neste desejo de lotar suas igrejas, inúmeros pastores abrem mão do verdadeiro evangelho de Cristo em prol de uma igreja lotada. Diante disto, entendo que os evangélicos no Brasil estão tão iludidos com as estatísticas que não percebem que caminham em direção oposta ao verdadeiro evangelho. Criticam os norte-americanos pela sua frieza espiritual e não se dão conta que estão tão distantes da cruz quanto eles... ou mais.
Voltando ao trabalho que desenvolvemos aqui, fui muito abençoado ontem ao visitar duas comunidades pobres da cidade de Richmond. A primeira que visitamos foi pela manhã e é uma comunidade onde vivem pessoas de diversas nacionalidades. Ao todo, segundo informações que recebi, há por volta de 30 nacionalidades diferentes. Eu mesmo visitei famílias do Iraque, México e Nepal. Nesta última, tive o privilégio de ouvir um testemunho muito marcante. A dona da casa é uma seguidora de Jesus. Sendo ela do Nepal e havendo algumas crianças na comunidade que são da mesma nacionalidade, ela ensina inglês para as crianças utilizando como material de ensino histórias bíblicas. Ela, como serva de Deus, está lançando a semente do evangelho.