sexta-feira, 15 de junho de 2012

Por uma Igreja Velha

Estimativas da SEPAL (Serviço de Evangelização para a América Latina) preveem que 50% da população brasileira será evangélica em 2020. Esta estimativa seria motivo de grande alegria se este crescimento fosse alicerçado no verdadeiro evangelho de Cristo. Temos visto nas últimas décadas um crescimento acelerado de igrejas intituladas evangélicas, mas o que ensinam está em desacordo com os ensinamentos de Jesus. Mais entristecedor que isto é que denominações tradicionalmente reconhecidas por serem fiéis à Palavra de Deus como os Batistas, Metodistas e Presbiterianos também tem formado líderes adeptos a teologias neopentecostais cujo objetivo é atrair “clientela” com falsos ensinamentos. Entristeço-me ao ler e presenciar em certas ocasiões líderes e membros destas igrejas históricas pronunciarem jargões comuns nas denominações pentecostais e nas seitas neopentecostais como: “eu tomo posse”, “eu determino”, “eu profetizo”. Não bastando estes absurdos que não têm embasamento bíblico, ainda acrescentam a expressão “em nome de Jesus”. Pensam, com isto, que Jesus está de acordo com as barbaridades que dizem. Se são estes os evangélicos que representarão 50% da população brasileira em 2020, não há motivos para comemorar. Muitos pastores (talvez a maioria) das igrejas evangélicas da atualidade temem perder a popularidade, temem perder “fiéis” para a concorrência e, para se manterem na crista da onda, apelam para um evangelho distorcido, um evangelho que não incomoda o pecador, um evangelho apenas de bênçãos e prosperidade. Pouco ou nada se fala sobre arrependimento, sobre uma vida que prima pelo caráter. Em um excelente artigo escrito pelo Pr Isaltino Gomes Coelho Filho lemos: No passado, éramos chamados de “crentes” e éramos respeitados. Eu tinha 16 anos, trabalhava num escritório, na 7 de Setembro, no Rio. Numa noite, roubaram o cofre da empresa. A polícia veio investigar. Fim do expediente, eu precisava sair porque estudava. Um policial disse: “Deixa o menino ir. Ele é crente e crente não faz isso”. Não era eu, como pessoa. Eram os crentes. Acima de suspeita. Depois viramos “evangélicos”. Alguns são “gospel”. Ora, vão para os Estados Unidos! Mas quando éramos respeitados, o caráter era trabalhado em nossas igrejas.” Estava eu pensando nos rumos que o evangelho está tomando. Se na maioria das igrejas evangélicas se prega mensagens para apalpar o pecador, para atrair clientela, um evangelho em que não se enfatiza o caráter cristão, um evangelho em que posso determinar, exigir meus direitos, tomar posse de bênçãos, o que os novos “convertidos” ou novos evangélicos entenderão de igreja? Para estes, que só conheceram este evangelho de barganha, onde a igreja é um mercado em que vou buscar minhas bênçãos, o verdadeiro evangelho é isto. Um emaranhado de doutrinas falsas tidas como verdadeiras. No mesmo artigo do Pr Isaltino citado acima lemos: “... precisamos clamar por “uma igreja velha”. Uma igreja velha, sim. Uma igreja antiga. Uma igreja em que a Bíblia seja pregada, em que a crença no poder do Espírito para fazer a obra crescer nos leve a prescindir de atos desonestos, de manipulações e de extorsão na contribuição. Uma igreja velha em que evangelizemos, e não agridamos. Em que aceitemos o crescimento dado pelo Espírito, e não o de “marketing”. Uma igreja velha, onde caráter seja mais importante que os nomes de figurões usados para adornar a igreja. Uma igreja velha em que o evangelho não ceda lugar à convivência amiga, sem contestações e sem exigências, “porque precisamos atrair as pessoas”. Uma igreja velha que pregue Jesus e não política. E que não chame de “alienados” os que pregam que “Jesus salva” e que só Jesus pode mudar o mundo.” Sim, creio que os evangélicos comporão 50% da população em 2020. Mas e quanto aos servos de Jesus, salvos e dispostos a carregar a sua cruz diariamente, negando-se a si mesmos, dispostos a propagar o verdadeiro evangelho sem medo de perder popularidade, haverá algum?

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