segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O exemplo de Esdras

Esdras 7.10 “Esdras tinha decidido dedicar-se a estudar a Lei do Senhor e a praticá-la e a ensinar os seus decretos e mandamentos aos israelitas”.

três aspectos importantes e bem claramente destacados no procedimento de Esdras: o primeiro aspecto está na dedicação ao estudo da Lei do Senhor.

Dedicar-se ao estudo vai muito além de simplesmente ler ou memorizar. Entre as definições do verbo dedicar temos: aplicar tempo ou esforço em algo; empenhar-se; fazer sacrifício por algo. As pessoas aplicam seu tempo, seu esforço ou fazem sacrifício por algo que julgam importante. É sempre possível encontrar um tempo para fazermos aquilo que valorizamos. Um exemplo que vemos nas Escrituras é de Daniel. Ele era um homem ocupadíssimo. No capítulo 2 do livro de Daniel vemos que após ter interpretado o sonho de Nabucodonozor, Daniel foi colocado num cargo elevado, de grande responsabilidade. No verso 48 lemos: Assim o rei colocou Daniel num alto cargo e o cobriu de presentes. Ele o designou governante de toda a província da Babilônia e o encarregou de todos os sábios da província. Sabemos que pessoas que ocupam cargos elevados normalmente não tem tempo para quase nada a não ser para o cumprimento das tarefas relativas a estes cargos. Daniel certamente era um homem muito ocupado devido às suas responsabilidades no reino, no entanto, no capítulo 6 a Bíblia nos relata que ele conseguia dedicar um tempo do seu dia para conversar com Deus. O rei Dario havia decretado que ninguém poderia orar a nenhum outro deus, mas somente a ele mesmo e o descumprimento desta ordem traria o castigo de ser jogado na cova dos leões. No verso 10 lemos: Quando Daniel soube que o decreto tinha sido publicado, foi para casa, para o seu quarto, no andar de cima, onde as janelas davam para Jerusalém e ali fez o que costumava fazer: três vezes por dia ele se ajoelhava e orava, agradecendo ao seu Deus. Vemos que Daniel, mesmo sendo um homem com grandes responsabilidades, ainda conseguia separar três momentos do seu dia para orar. Para ele não importava se a situação era favorável ou não (isto é demonstrado pela expressão fez o que costumava fazer), ele reservava sempre um tempo para conversar com Deus, isto porque ele valorizava acima de tudo o seu relacionamento com Deus.

E quanto a nós? O que nós temos valorizado de verdade? Temos valorizado, acima de todas as coisas, o nosso relacionamento com Deus? Para sabermos a resposta a esta pergunta é muito simples. Vejamos com que dedicação temos procurado um relacionamento íntimo com Deus através da oração e do estudo da palavra. Temos separado um tempo para Deus em qualquer circunstância como Daniel fazia ou quando os problemas aparecem é que nos empenhamos em buscá-lo? Reflita nisto.

Então vimos o primeiro aspecto relacionado ao texto de Esdras que é a dedicação ao estudo da Lei do Senhor.

O segundo aspecto relacionado ao texto de Esdras é: praticar a Lei do Senhor. Este é um ponto que está diretamente ligado ao primeiro. podemos praticar algo quando temos o conhecimento de como fazê-lo. Pegue alguém que nunca jogou futebol, coloque dentro do campo e inicie a partida. A pessoa não terá condição alguma de participar do jogo mesmo que ela tenha preparo físico, velocidade e outras características importantes para o futebol, mas se ela não conhece as regras não tem como praticar o futebol adequadamente. Por isso, o segundo aspecto indicado em Esdras que é praticar a Lei do Senhor está diretamente ligado ao primeiro que é a dedicação ao estudo.

Em Tiago 1.22 lemos: Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos.

Temos aqui um ponto interessante: mesmo que tenhamos o conhecimento, mesmo que nos dediquemos ao estudo da palavra (como vimos inicialmente), se não colocarmos em prática, de nada vale. Voltemos ao exemplo do futebol. Se eu não sou goleiro e coloco a mão na bola dentro da minha própria área é pênalti. A regra é clara, eu a conheço, mas se não a ponho em prática de nada vale.

Agora vamos ao Novo Testamento. Os fariseus eram pessoas que conheciam muito a Lei. Eles ensinavam a lei nas sinagogas e muitas vezes eles quiseram colocar Jesus à prova, mas nunca conseguiam porque o conhecimento de Jesus era superior ao deles. Os fariseus são exemplos de pessoas que tinham conhecimento, mas não colocavam em prática. Em Mateus 23.1-3 Jesus diz o seguinte: Então Jesus disse à multidão e aos seus discípulos: Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam.

Voltando ao nosso personagem de hoje, Esdras, vemos que além de conhecer a Lei ele também a praticava.

Finalmente vejamos o terceiro aspecto que o texto destaca em relação a Esdras. vimos que ele dedicava-se ao estudo e praticava o que aprendia.  Por último o texto nos diz que Esdras ensinava os decretos e mandamentos de Deus aos israelitas.

Este terceiro ponto está intimamente ligado aos outros dois vistos anteriormente. Para que possamos ensinar com eficácia precisamos nos dedicar ao estudo e por em prática o que estudamos. Sem a dedicação ao estudo não temos o que ensinar e sem colocar em pratica não temos como fazer com que os outros tenham um exemplo a seguir. Desta maneira o ensino fica deficiente. Como vimos no texto de Mateus, os fariseus ensinavam, mas não praticavam o que estavam ensinando.

Os filhos costumam imitar seus pais, principalmente quando ainda são crianças e vem seu pai como um herói, como alguém que deve ser seguido. É muito mais difícil para uma criança respeitar sua mãe quando que o próprio pai não a respeita. É muito mais difícil convencer um filho adolescente a não fumar ou beber, quando o próprio pai fuma ou bebe. Nossas atitudes ensinam muito mais do que uma multidão de palavras.

Podemos notar pelo texto lido que Esdras era um homem segundo o coração de Deus. Um homem que conseguia viver em conformidade com estes três aspectos vistos: estudo, prática e ensino.

Que tal fazermos esta mesma opção de vida que Esdras fez? Estudarmos com dedicação a Palavra de Deus; colocar em prática os seus ensinamentos e ensinarmos aos outros não somente com palavras, mas também através de nossas vidas. Esta é uma decisão que depende somente de nós. Isto exige esforço, exige tempo, mas certamente seremos abençoados e abençoaremos muito a vida de outras pessoas.





Sergio Paulo Brea

sábado, 17 de setembro de 2011

Livre-se das dívidas

Ao assistirmos programas televisivos que oferecem premiação em dinheiro, o apresentador sempre faz a seguinte pergunta para o participante: O que você fará se ganhar este montante de dinheiro? A mais frequente resposta é: vou quitar minhas dívidas.

Pesquisas recentes apontam índices de endividamento das famílias brasileiras superiores a 60%, ou seja, mais da metade da população encontra-se com alguma pendência financeira. Resumidamente, pode-se dizer que a maioria da população usa dinheiro de terceiros para o consumo e este dinheiro custa muito caro, aliás, o Brasil é o país com a maior taxa de juros do mundo. Veja na tabela abaixo a relação das taxas de juros de alguns países e compare com a do Brasil

Principais Bancos Centrais
Última Alteração
Taxa de Juros ao ano
Banco Central do Brasil
31/08/2011
12,00%

Banco Central do Canadá
08/09/2010
1,00%

Banco da Inglaterra (BoE)
05/03/2009
0,50%

Banco do Japão (BoJ)
19/12/2010
0,10%

Banco Central Europeu (BCE)
07/07/2011
1,50%

Federal Reserve (EUA)
16/12/2008
0,25%

Banco Central da Austrália
02/11/2010
4,75%

Banco Central da Suíça
03/08/2011
0,00%


Fonte: http://www.brasileconomico.com.br/paginas/taxas-de-juros_81.html

Analisando a tabela acima, percebe-se o quanto custa caro emprestar dinheiro em nosso país, haja vista que esta taxa de juros (Selic) de 12% é que parametriza os juros cobrados em cheques especiais, créditos pessoais, cartões de crédito e outros tipos de empréstimo.

Se você faz parte destes mais de 60% de brasileiros endividados, é preciso tomar algumas providências urgentes e que muito provavelmente você já deve ter lido, ouvido ou visto na TV, mas ainda não os colocou em prática:

· Deixe de consumir o que não é fundamental até que sua dívida seja exterminada. Muitas famílias que estão endividadas não percebem que alguns luxos desnecessários precisam ser cortados para que se saia o quanto antes do vermelho. Exemplo: TV a cabo, uso indiscriminado do celular ou telefone fixo, refrigerante, comer em restaurante nos finais de semana e outros que você mesmo sabe mas não quer abrir mão.

· Não compre apenas porque está em promoção. Muitas pessoas são tentadas a comprar produtos em promoção simplesmente por estar mais em conta do que o normal e não por necessidade. Se não há necessidade, não compre.

· Negocie suas dívidas. Os credores estão quase sempre dispostos a negociar dívidas, mesmo porque, eles também têm seus compromissos e precisam de recursos para pagar. Antes da negociação, prepare bem sua proposta apontando as vantagens que o credor tem em aceitá-la.

· Anote seus gastos. Um grande erro que as pessoas cometem em suas finanças é não identificar onde seu dinheiro foi gasto. Costumamos subestimar pequenos gastos que juntos somam um valor alto. Anote tudo o que gastar, desde um produto pago com uma moeda até valores maiores. Estas anotações o ajudarão a visualizar para onde seu dinheiro está indo e onde podem ser feitos cortes.

· Aproveite o 13º. Use seu 13º para quitar a maior quantidade de dívidas possível. O comércio está de olho no seu dinheiro extra de fim de ano, mas não se deixe vencer pela tentação da compra. Lembre-se que um excelente presente que você pode dar a si mesmo e à sua família é entrar no próximo ano sem dívidas.

Sergio Paulo Brea

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A última crônica

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês.

O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."



Fernando Sabino

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Excelente texto de Rubem Alves sobre o casamento

Tênis x Frescobol
Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo...’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\' não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:
‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...(O retorno e terno, p. 51.)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Política Monetária

Diante da extensão do assunto em pauta, neste artigo abordarei alguns aspectos principais e cotidianos relativos à política monetária.

Quando falamos de política monetária estamos nos referindo à atuação das autoridades monetárias no intuito de controlar o nível de liquidez1 na economia. Este controle pode ser tanto para a restrição quanto para a expansão da liquidez.

Há três medidas principais que podem ser adotadas para o controle da liquidez na economia como veremos a seguir:

Política Monetária Restritiva: objetiva reduzir os meios de pagamentos da economia e restringir os empréstimos através de:

·         Venda de títulos públicos: quando o Banco Central vende títulos públicos há uma diminuição de moeda circulando no país, pois ela é trocada por esses títulos. Isto ocorrendo, a liquidez na economia diminui;

·         Aumento do percentual de recolhimento compulsório: todo banco comercial tem que remeter ao Banco Central (BC) um percentual dos depósitos recebidos do público. O BC é quem determina este percentual e quando há a necessidade de restringir o nível de liquidez na economia, há um aumento neste percentual, diminuindo com isto a capacidade dos bancos de emprestarem dinheiro com taxas atrativas;

·         Aumento da taxa de redesconto: os bancos comerciais muitas vezes necessitam de empréstimos de curto prazo para cumprir seus compromissos. Para isto, uma alternativa que eles têm a seu dispor é o redesconto, ou seja, o Banco Central empresta dinheiro aos bancos cobrando um percentual de juros, esta é a taxa de redesconto. Quando o BC necessita retrair a liquidez na economia, esta taxa é aumentada, desmotivando os bancos a tomarem empréstimos do BC.

Política Monetária Expansiva: inversamente à política monetária restritiva, a expansiva visa aumentar a liquidez na economia e baratear os empréstimos. O BC pode atuar com os mesmos instrumentos da Política Monetária Restritiva, porém de maneira contrária. Vejamos:

·         Compra de títulos públicos: quando o Banco Central compra títulos públicos há um aumento de moeda em circulação, aumentando assim o nível de liquidez na economia.

·         Diminuição do percentual de recolhimento compulsório: havendo a necessidade de expansão no nível de liquidez na economia, o percentual deste compulsório diminui, aumentando a capacidade de empréstimo pelos bancos aos seus clientes.

·         Diminuição da taxa de redesconto: conforme visto anteriormente, a taxa de redesconto representa o custo do dinheiro emprestado pelo BC aos bancos comerciais para cumprimento de seus compromissos de curto prazo. Ao contrário do que ocorre em uma política monetária restritiva, na expansiva a taxa de redesconto é diminuída, aumentando a capacidade de empréstimo dos bancos junto aos seus clientes e elevando o nível de liquidez na economia.

1 Liquidez: na linguagem econômica há diversos significados para a palavra liquidez. Podemos dizer, por exemplo, que um bem tem boa liquidez quando há uma grande facilidade de vendê-lo transformando-o em dinheiro. Seguindo este mesmo exemplo, podemos dizer que um carro popular tem uma liquidez maior que um carro de luxo.

No artigo acima, entende-se liquidez como sendo o volume de dinheiro que circula no mercado.

Sergio Paulo Brea

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Um pouco de economês

Diariamente ouvimos ou lemos certos termos de economia que, apesar de soarem familiares aos nossos ouvidos, não temos ideia do que sejam e como podem influenciar nosso cotidiano. Vejamos alguns destes termos:
SELIC: é uma sigla que significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia. A SELIC é uma taxa fundamental para a economia, pois é nela que as taxas de juros do mercado são balizadas.
Como a SELIC influencia nossa vida? Uma vez que a taxa de juros praticada no mercado está diretamente ligada à SELIC, quanto maior ela for maior serão os juros pagos para a obtenção de crédito tais como empréstimo pessoal, cartão de crédito, cheque especial e outras modalidades de crédito. Por outro lado, isto pode ser um benefício para quem investe em CDB, por exemplo, pois este Certificado de Depósito Bancário (CDB) é influenciado diretamente pela SELIC.
A variação da SELIC é um dos instrumentos usados no controle inflacionário. Quando a inflação tende a aumentar, um acréscimo na SELIC pode ajustar esta tendência uma vez que seu aumento desestimula o consumo e, consequentemente, há uma queda nos preços. Obviamente, há outros fatores que influenciam as variações dos preços mas, de forma simplificada, podemos dizer que a SELIC objetiva também o controle inflacionário.
Em caso de desaceleração da economia, a redução da SELIC poderá estimular novamente a economia com o aumento do consumo, uma vez que os custos dos empréstimos tornam-se atrativos e os investimentos no mercado financeiro menos rentáveis.
Quem determina a taxa SELIC é o COPOM (Comitê de Política Monetária), órgão criado pelo Banco Central do Brasil que tem por objetivo estabelecer diretrizes da política monetária. Política monetária? Eis aí mais um termo a ser estudado.

Sergio Paulo Brea